Page 46 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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– Ainda é cedo para tirarmos conclusões. É melhor esperarmos um pouco mais.
Por volta das seis e meia da tarde, o Vitória achava-se em frente ao monte Dutumi. Para
transpô-lo, teve de erguer-se a quase mil metros, o que o doutor conseguiu simplesmente
elevando a temperatura de dez graus centígrados. Na verdade, ele manobrava o balão sem a
menor dificuldade. Kennedy indicava-lhe os obstáculos a vencer e o Vitória singrava os ares
roçando a montanha.
As oito horas, descia a encosta oposta, cujo declive era menos acentuado. As ancoras foram
lançadas para fora da barquinha e uma delas, esbarrando nos galhos de frondoso nopal,
enganchou-se. Imediatamente, Joe deslizou pela corda e fixou-a solidamente. Assim que
concluiu a tarefa, atiraram-lhe a escada de seda e ele galgou-a com agilidade. O aeróstato
quedou-se quase imóvel, ao abrigo dos ventos leste.
Procedeu-se aos preparativos da refeição noturna. Os viajantes, excitados pela viagem aérea,
abriram larga brecha nas suas provisões.
– Quanto caminhamos hoje? interrogou Kennedy, dando largas ao seu apetite voraz.
O doutor consultou o excelente mapa que lhe servia de guia. Depois respondeu:
– Duzentos e vinte quilômetros para o oeste.
Kennedy observou que o balão se dirigia para o sul, o que satisfazia ao doutor, que desejava,
tanto quanto fosse possível, seguir o rastro de seus predecessores.
Decidiram que a noite seria dividida em três quartos, a fim de que cada um pudesse velar
pela segurança dos outros dois. O doutor ficou com o quarto das nove horas, Kennedy com o
de meia-noite e Joe com o das três horas da madrugada.
Assim, Kennedy e Joe envolvidos em suas cobertas, estenderam-se sob o toldo e dormiram
tranqüilamente, enquanto o doutor Fergusson ficava de guarda.

