Page 157 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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O INCÊNDIO





      O doutor Fergusson começou por levantar a sita posição, servindo-se da altura das estrelas e
      achou-se apenas a quarenta  quilômetros do Senegal.
      – Tudo o que podemos fazer, amigos  disse ele depois  de haver anotado o seu mapa , é passar
      o rio. Mas como  não há ponte nem barca, torna-se indispensável atravessá-lo  em balão, e
      para isso temos de alijar mais carga ainda.

      – Não sei como o havemos de conseguir  respondeu  o caçador, temendo pelas suas armas  a
      não ser que um de  nós resolva sacrificar-se, ficando para trás... e agora cabe-me  esta honra.
      – Ora essa!  atalhou Joe  eu já estou acostumado...
      – Não quero dizer que qualquer um de nós se jogue  da barca, mas que alcance a pé a costa de
      África. Eu sou  bom andarilho, bom caçador...
      – Não concordarei jamais!  replicou Joe.

      – Essa luta de generosidade não adianta  tornou Fergusson. Espero que não cheguemos a tanto.
      Se isso fosse preciso, não iríamos separar-nos, antes ficaríamos juntos para atravessar este
      país.
      – Bem, isso sim  volveu Joe. Um passeiozinho não nos  faria mal nenhum.
      – Mas antes disso  continuou o doutor  vamos empregar o último recurso para aliviar o nosso
      Vitória.
      – Qual? perguntou Kennedy. Estou bem curioso de  sabê-lo.

      – Temos de desembaraçar-nos das caixas do maçarico, da  pilha de Bunsen e da serpentina.
      São quase quatrocentos e  cinqüenta quilos bem pesados a arrastar pelos ares.
      – Mas, Samuel, como obterá depois a dilatação do gás?
      – Não a obterei. Passaremos sem ela.
      – Mas enfim...
      –  Ouçam,  amigos,  já  calculei  com  toda  a  exatidão  a  força    ascensional  que  nos  resta  e

      encontrei-a  suficiente  para  transportar-nos  com  os  poucos  objetos  que  nos  restam.
      Totalizaremos  apenas  duzentos  e  cinqüenta  quilos,  incluídas  as  duas  âncoras  que  pretendo
      conservar.
      – Meu caro Samuel  tornou o caçador  você é mais  competente do que nós nessa matéria e o
      único juiz da situação. Diga o que devemos fazer e nós obedeceremos.
      – Estou às suas ordens, meu amo.
      – Repito-lhes, amigos, por muito grave que seja esta determinação, precisamos sacrificar o

      nosso aparelho.
      – Pois sacrifiquemo-lo!  disse Kennedy.
      – Mãos à obra!  gritou Joe.
      O trabalho não era fácil. Precisaram desmontar o aparelho peça por peça. Tiraram primeiro a
      ânfora de mistura,  depois a caixa do maçarico e por fim o dispositivo onde se  operava a
      decomposição  da  água.  Para  arrancar  os  recipientes    do  fundo  da  barca,  onde  estavam

      solidamente encravados, os  três viajantes tiveram de empregar as suas fôrças conjuntas.  Mas
      Kennedy  era  tão  vigoroso,  Joe  tão  hábil  e  Samuel  tão    engenhoso  que  tudo  saiu  bem. As
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