Page 152 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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perfeitamente reconhecível  pelos quatro bairros que a compõem, as mesquitas mouriscas  e o
      vaivém incessante das barcaças que transportam os viajantes para os diversos pontos. Mas os
      viajantes  não  foram  avistados,  nem  puderam  ver,  levados,  rapidamente,  em  direção    ao

      noroeste, o que .tranqüilizou um pouco o doutor.
      – Mais dois dias nesta direção  disse ele  e na marcha  em que vamos alcançaremos o rio
      Senegal.
      – E estaremos em país amigo?  perguntou o caçador.
      –  Não  inteiramente,  mas  se  o  Vitória  viesse  a  falhar  poderíamos  chegar  a  possessões
      francesas! Se ele se mantiver por  mais algumas centenas de quilômetros, chegaremos sem

      canseiras, sem temores e sem perigos à costa ocidental.
      – E tudo acaba!  exclamou Joe. Tanto pior! Se não  fosse pelo gosto de contar a viagem, não
      desejaria mais pôr  pé em terra. O senhor acha que irão acreditar nas nossas  aventuras, meu
      amo?
      – Quem sabe, bravo Joe! Em todo o caso há um fato  incontestável: mil testemunhas nos viram
      partir de uma costa  da África, algumas hão de ver-nos chegar do outro lado.
      – Neste caso  interveio Kennedy , parece-me difícil  dizer que não fizemos a travessia.

      – Ah! Senhor Samuel!  tornou Joe com um fundo suspiro  nunca me conformarei com a perda
      dos meus pedregulhos de ouro maciço! É uma coisa que daria autoridade  à nossa história e
      verossimilhança aos nossos relatos. A um  grama de ouro por ouvinte, arranjaria uma bela
      multidão  para ouvir-me e até para admirar-me!
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