Page 52 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
P. 52

quando voltássemos.
      – Ora, que idéia! Acha que o doutor iria abandonar-nos  aqui?
      – Não, claro, mas... e se a âncora se desprendesse)

      – Isso é impossível. Mas se acontecesse, o Samuel não  teria trabalho em fazer o balão descer
      de novo. Ele é mestre  nisso.
      – E se o vento o carregasse e não conseguisse mais voltar?
      – Ora, pare com essas suposições. Não são nada agradáveis .
      – É, meu senhor, mas tudo pode acontecer. A gente tem  de prever tudo...
      Naquele instante, um tiro de espingarda retiniu ao espaço.

      – É a minha carabina! Conheço a detonação!   O sinal!
      – Perigo para nós.
      – Talvez para ele.
      – Vamos, depressa.
      Os caçadores apanharam às pressas o produto de sua caçada e retornaram, guiando-se pela
      trilha de galhos partidos  que Kennedy tomara a precaução de fazer. A espessura dos  arbustos
      impedia a visão do Vitória, do qual não se haviam  distanciado muito.

      Ouviram outro tiro.
      – Deve ser urgente  ponderou Joe.
      – Ouça! Mais um  declarou Kennedy. Está-me parecendo defesa pessoal.
      Saíram em disparada. Ao chegarem à orla da floresta,  divisaram imediatamente o Vitória no
      mesmo lugar e o doutor  na barquinha.

      – O que será?  indagou Kennedy.   Meu Deus!  exclamou Joe.
      – O que foi? Viu alguma coisa?
      – Veja lá embaixo. Um grupo de negros está cercando  o balão!
      Realmente,  a  cerca  de  três  quilômetros  de  onde  se  encontravam,  uns  trinta  indivíduos
      comprimiam-se, gesticulando,  ululando e pulando ao pé do sicômoro. Alguns, trepados na
       árvore, procuravam ganhar os galhos mais elevados. O perigo  era iminente.
      – O patrão está perdido!
      – Vamos, Joe, sangue-frio e olhar atento. Estamos armados.

      Haviam já transposto metade do caminho com extrema  rapidez, quando da barquinha partiu
      mais um tiro, que atingiu uma criatura que se içava pela corda da âncora. Um  corpo sem vida
      resvalou de galho em galho e ficou suspenso  a alguns metros do solo, com os braços e as
      pernas balançando no ar.
      – Que estranho!  disse Joe, parando. Por onde estará  preso aquele sujeito?

      – Não importa  respondeu Kennedy. Vamos! Depressa!
      – Ah, senhor Kennedy!  exclamou Joe, explodindo  numa gargalhada. Ficou preso pela caudal
      É um macaco!  São todos macacos!
      – Melhor do que se fossem homens  observou Kennedy,  avançando para o bando que uivava
      sem parar.
      Era um grupo de temíveis cinocéfalos, ferozes e selvagens,  de aparência terrível, com seus
      focinhos de cão. Alguns tiros  de carabina puseram-nos em debandada, somente permanecendo

      alguns tombados ao solo, inanimados.
      Imediatamente,  Kennedy  acercou-se  da  barquinha,  enquanto  Joe  subia  pelo  sicômoro  e
      desprendia a âncora.  Minutos mais tarde, o Vitória elevava-se no espaço, dirigindo-se para o
   47   48   49   50   51   52   53   54   55   56   57