Page 70 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
P. 70

reserva  de  água  necessitava  ser  renovada.  Os  tubos  e  a    serpentina  pareciam  em  perfeito
      estado.  Graças  às  articulações  de  borracha,  tinham-se  prestado  a  todas  as  oscilações  do
       aeróstato. Terminado o exame, o doutor cuidou de pôr as  suas notas em ordem. Fez esboço

      muito aceitável da campina  circundante, com o longo prado a perder de vista, a floresta  de
      camaldores e o balão imóvel sobre o monstruoso corpo  do elefante.
      Ao cabo das suas duas horas, Kennedy regressou com  numerosas perdizes.
      – O jantar está na mesa!  gritou Joe.
      E os três viajantes não fizeram mais do que sentar-se  sobre aquele verde relvado. A pata e a
      tromba  do  elefante    foram  declaradas  preciosas.  Bebeu-se  como  sempre  em  honra    da

      Inglaterra  e  pela  primeira  vez  deliciosos  havanas  perfumaram  aquela  terra  encantadora.
      Kennedy comia, bebia e  conversava por quatro. Estava eufórico e chegou a propor  com toda
      a seriedade ao seu amigo Fergusson instalaram-se  naquela floresta, construírem uma cabana
      de folhagem e iniciarem a dinastia dos Robinsons africanos.
      A  proposta  não  teve  maiores  conseqüências,  embora  Joe  se  houvesse  oferecido  para
      desempenhar o papel de Sexta-Feira.
      O lugar parecia tão sossegado e deserto que o doutor re solveu passar a noite em terra. Joe fez

      um círculo de fogueiras, barricada indispensável contra os animais ferozes.  As hienas, os
      cuguardos, os chacais, atraídos pelo cheiro da  carne de elefante, andaram rondando pelas
      proximidades.    Kennedy  viu-se  obrigado  a  descarregar  várias  vezes  a  carabina    contra  os
      visitantes mais audaciosos, mas, enfim, a noite decorreu sem incidente desagradável.
   65   66   67   68   69   70   71   72   73   74   75