Page 38 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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E pelo vértice desse cone que sai o segundo tubo que se comunica, como já disse, com as
camadas superiores do balão.
A abóbada esférica do pequeno cone é de platina, a fim de não se fundir sob a ação do
maçarico. Este é instalado ao fundo da caixa de ferro, no centro da serpentina helicoidal, e a
extremidade de sua chama vai tocar de leve aquela abóbada.
Os senhores sabem o que é um aquecedor destinado a aquecer as habitações. Sabem como
funcionam. O ar da habitação é forçado a passar pelos tubos, sendo depois devolvido com
temperatura mais elevada. Ora, o que acabo de descrever não é mais que um aquecedor.
Senão, vejamos. Uma vez aceso o aquecedor, o hidrogênio da serpentina e do cone côncavo
esquenta-se e sobe rapidamente pelo tubo que o conduz às regiões superiores do aeróstato.
Produz-se o vácuo na parte de baixo, que atrai o gás das regiões inferiores, que se aquece,
por sua vez., e é constantemente substituído. Assim se estabelece nos tubos e na serpentina
corrente extremamente rápida de gás, que sai do balão e a ele retorna, aquecendo-se sem
cessar.
Ora, o gás aumenta de duzentos e sessenta e sete avos de seu volume por grau de calor.
Portanto, se se forçar a temperatura de dez graus centígrados, o hidrogênio do aeróstato
dilatará de dez vezes duzentos e sessenta e sete avos ou de, aproximadamente, sessenta e dois
metros cúbicos, deslocando, portanto, seis metros cúbicos de ar a mais, o que aumentará a
sua força ascensional de setenta e dois quilos e meio. Isso é o mesmo que jogar fora o mesmo
peso em lastro. Se eu aumentar a temperatura de cem graus centígrados, o gás se dilatará de
cem vezes. Deslocará seiscentos e vinte metros cúbicos a mais e sua força ascensional será
acrescida de setecentos e vinte e seis quilos.
Como vêem, posso facilmente obter consideráveis quebras de equilíbrio. O volume do
aeróstato foi calculado de maneira a, estando ocupado pela metade, deslocar peso de ar
exatamente igual ao do envoltório de gás hidrogênio e da barquinha carregada de viajantes e
todos os acessórios. A esse ponto de enchimento, o balão está em perfeito equilíbrio no ar e
não sobe nem desce.
Para efetuar a ascensão, levo o gás a uma temperatura superior à temperatura ambiente por
meio do meu aquecedor ou maçarico. Por esse excesso de calor, ele obtém tensão mais forte
e enche mais o balão, que sobe tanto quanto for a dilatação do hidrogênio:
A descida se processa, naturalmente, moderando o calor do maçarico e deixando a
temperatura diminuir. Assim, a ascensão será em geral muito mais rápida que a descida.
Aliás, essa é uma circunstância até bem vantajosa. Não tenho nenhum interesse em descer
rapidamente e, sim, subir, quando precisar evitar algum obstáculo. Os perigos estão embaixo
e não lá em cima.
Além disso, como já disse, tenho certa quantidade de lastro que permitirá subir ainda mais
depressa, caso se torne necessário. Minha válvula, situada no pólo superior do balão, não é
mais que válvula de segurança. O balão conserva sempre a mesma carga de hidrogênio. As
variações de temperatura que produzo nesse centro de gás encerrado provêm apenas de todos
os movimentos de subida e descida.
Agora, um pormenor prático. A combustão do hidrogênio e do oxigênio na ponta do maçarico
produz unicamente o vapor d'água. Assim sendo, provi a parte inferior da caixa cilíndrica de
ferro de tubo de desligamento com válvula, que funciona a menos de duas atmosferas de
pressão. Em conseqüência, já que ela abranda essa pressão, o vapor se escapa dela própria.

