Page 37 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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Fergusson EXPLICA





      "Já se tentou muitas vezes  começou o doutor  subir e descer à vontade, sem perder gás ou
      lastro do balão. Um  aeronauta francês, Meunier, procurou conseguir isto comprimindo o ar
      em recinto fechado. Um belga, o doutor Van  Hecke, chegou a desenvolver, por meio de asas e
      palhetas,  força vertical, que seria suficiente na maioria dos casos.
      Os resultados práticos obtidos por esses meios foram insignificantes. Resolvi então atacar a

      questão mais diretamente. De início, suprimo completamente o lastro, a não ser  para casos de
      força maior, como a ruptura do meu aparelho,  ou a necessidade de erguer-se repentinamente
      para evitar obstáculos imprevistos.
      Os  meios  que  emprego  para  a  ascensão  ou  descida  consistem  unicamente  em  dilatar  ou
      comprimir,  por  temperaturas  diversas,  o  gás  contido  no  interior  do  aeróstato.  E  aqui  está
       como obtenho este resultado.

      Naturalmente  viram  subir  com  a  barquinha  do  balão    várias  caixas  cuja  utilidade
      desconhecem. Estas caixas são  cinco.
      A  primeira  contém  cento  e  doze  litros  de  água,  á  qual    adiciono  algumas  gotas  de  ácido
      sulfúrico  para  aumentar  sua  condutibilidade  e  a  decomponho  por  meio  de  farte  pilha  de
       Bunsen. A água, como sabem, compôe-se de dois volumes  de gás hidrogênio e um de gás
      oxigênio.
      Este  último,  sob  a  ação  da  pilha,  vai,  pelo  seu  pólo  positivo,  a  uma  segunda  caixa.  Uma

      terceira, colocada sobre  esta, e com o dobro de capacidade, recebe o hidrogênio que  chega
      pelo pólo negativo.
      Duas torneiras, uma das quais com o dobro de abertura  da outra, fazem essas duas caixas
      comunicarem-se com uma  quarta, chamada caixa de mistura. Aí, realmente, misturam-se  os
      dois gases resultantes da decomposição da água. A capacidade dessa caixa de mistura e de
      aproximadamente um  metro e meio quadrados.

      Na parte superior desta caixa fica um tubo de platina,  munido de torneira.
      A esta altura, já devem ter compreendido, meus senhores.  O aparelhe que acabo de descrever
      não passa de maçarico de gás oxi-hidrogênio, cujo calor é mais que o do fogo das forjas.
       Passarei, assim, à segunda parte do aparelho.
      Da parte inferior do balão, que é hermeticamente fechado, saem dois tubos, separados por
      pequeno intervalo. Um  parte das camadas superiores do gás hidrogênio, outro, das  camadas
      inferiores.

      Esses tubos são providos, em pequenos intervalos, de fortes  articulações de borracha, que
      lhes permitem sustentar-se às oscilações do aeróstato.
      Ambos descem até a barquinha e desaparecem em caixa  de ferro cilíndrica que se chama
      caixa de calor. Ela é fechada nas duas extremidades por dois fortes discos do mesmo  metal.
      O tubo que parte da região inferior do balão penetra  nessa caixa cilíndrica pelo disco de
      baixo, tomando então a  forma de serpentina helicoidal cujos aros superpostos ocupam  quase

      toda  a  altura  da  caixa.  Antes  de  sair,  a  serpentina    penetra  em  pequeno  cone,  cuja  base
      côncava, em forma de  abóbada esférica, é voltada para baixo.
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