Page 165 - 6F CINCO SEMANAS EM UM BALÃO
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CONCLUSÃO
A expedição que se encontrava ás margens do rio fora enviada pelo governador do Senegal.
Compunha-se de dois oficiais, senhor Dufraisse, tenente de infantaria naval, e Rodamel,
guarda-marinha, e de mais um sargento e sete soldados. Havia dois dias que se ocupavam na
escolha do lugar mais propicio para o estabelecimento de posto em Gouina, quando foram
testemunhas da chegada do doutor Fergusson.
Pode-se facilmente fazer idéia das felicitações e dos abraços que foram prodigalizados aos
três viajantes. Os franceses, que tinham podido controlar pessoalmente a realização do
audacioso projeto, tornavam-se as testemunhas naturais de Samuel Fergusson. O doutor
solicitou antes de tudo que atestassem oficialmente a sua chegada às cataratas de Gouina.
– Têm alguma objeção em assinar um relatório? perguntou ele ao tenente Dufraisse.
– Absolutamente. Estamos às suas ordens respondeu este.
Os ingleses foram levados a um posto provisório estabelecido nas margens do rio. Foram alvo
das maiores atenções e puderam alimentar-se lautamente. Foi redigido, então, nos seguintes
termos, o relatório que figura hoje nos arquivos da Sociedade Geográfica de Londres.
"Nós, abaixo assinados, declaramos que nesta data vimos chegar, suspensos à rede de um
balão, o doutor Fergusson e seus companheiros, Dick Kennedy e Joseph Wilson, balão este
que caiu a alguns passos de distância, no leito do rio, e foi levado pela correnteza para as
cataratas de Gouina. Em testemunho de verdade, assinamos o presente, juntamente com os
acima mencionados, para fins de direito. Redigido nas cataratas de Gouina, em vinte e quatro
de maio de 1862.
Samuel Fergusson; Dick Kennedy; Joseph Wilson; Dufraisse, tenente de infantaria naval;
Rodamel, guarda-marinha; Dufays, sargento Flippeau, Mayor, Pélissier, Lorois, Rascagnet,
Guillon, Lebel, soldados.”
Aqui termina a assombrosa viagem do doutor Fergusson e de seus corajosos companheiros,
comprovada por testemunhas incontestáveis. Achavam-se eles agora entre amigos, no meio de
tribos hospitaleiras, cujas relações são freqüentes com estabelecimentos franceses.
Haviam chegado ao Senegal no sábado, vinte e quatro de maio, e a vinte e sete do mesmo mês
atingiram o posto de Medina, situado um pouco mais ao norte na margem do rio.
Os oficiais franceses os receberam como hóspedes insignes, dispensando-lhes toda sorte de
atenções e delicadezas. O doutor e os companheiros puderam embarcar quase imediatamente
no pequeno navio a vapor, o Basilic, que descia até a foz do Senegal.
Catorze dias depois, chegaram a São Luís, onde o governador os acolheu magnificamente.
Achavam-se então já completamente restabelecidos das emoções e do cansaço. Aliás, Joe
dizia a quem quisesse ouvi-lo:
– Afinal de contas, foi uma viagem sem grandes sensações. Não a aconselho a quem ama
emoções. No final, tornou-se até fastidiosa. Se não fossem as aventuras do lago Tchad e do
Senegal, teríamos morrido de tédio! Uma fragata inglesa estava prestes a partir e os três
viajantes tomaram passagem a bordo. A vinte e cinco de junho chegaram a Portsmouth e no
dia seguinte a Londres.

